Uma carta para o meu pai.

segunda-feira, agosto 04, 2014

Inicio o post dizendo que mesmo com todos os altos e baixos, qualidades e defeitos, eu considero meu pai o melhor homem que eu conheço. Teria sorte de encontrar alguém que tivesse 1/3 do caráter dele e pudesse me dar 1/3 do amor que ele me deu, do jeito dele.
E digo mais: tô sentimental, chorem comigo.

O post de hoje faz parte da blogagem coletiva do Rotaroots, um grupo de blogueiros a fim de resgatar a blogosfera oldschool, a blogosfera muleke, de várzea, do sorriso no rosto e do dibre humilhante. Todo mês são apresentados temas pra gente discorrer em cima, e esse é o meu.

Bom, essa carta não é de agora e nem faria sentido escrever uma nova, já que meu pai não vai ler (uma vez que ele nem acessa a internet). Então vou transcrever aqui o que escrevi pra ele no dia dos pais do ano passado. Guardei o rascunho da carta por nenhum motivo específico, e aparentemente chegou a hora de finalmente utilizá-lo. Update: gente, eu entreguei a carta finalizada no ano passado, ele já leu, ok? Guardei o rascunho, mas dei a "original" hehehe Achei que tinha ficado claro nas entrelinhas :p

"Oi pai, 
Todos os anos eu te dou algum presente material, mas esse ano eu quis fazer uma coisa diferente. Sinto que te dar uma camisa ou gravata não vai conseguir mostrar o que eu sinto por você, porque gravata nenhuma é longa o suficiente pra medir esse amor. É difícil pra mim dizer isso em voz alta, mas não pense que meu amor não existe ou é pequeno, porque cada vez que eu te digo "tchau, um beijo sabor de morango", estou dizendo o meu "eu te amo" tímido. Todos os anos eu me sinto em falta como filha pra você e eu verdadeiramente gostaria de estar mais "lá por você", ser alguém com quem você pudesse contar e não somente o contrário. Te peço desculpas por todas as falhas e decepções, mas ninguém é perfeito e eu não poderia ser diferente. Te peço desculpas por não ser tanto mais daquela menininha doce que vinha passar domingos inteiros passeando por essas ruas e sendo apresentada com orgulho pra gente que eu não conheço, além de balançar no meu balanço exclusivo na árvore da frente da sua casa. Mas olha só, nem a árvore está mais lá. Obrigado por ter me dado tudo o que podia e se esforçado pra dar aquilo que não podia. Obrigado pelas mensagens de telefone anuais no dia do meu aniversário, eu sei que elas são o seu "eu te amo" tímido. Obrigado por errar presentes de aniversário, aliás a toalha de banho do ano passado me surpreendeu e você se reinventou. Estou fazendo um bom uso. Obrigado. Obrigado pelas palmadas, talvez elas tenham sido necessárias pra me mostrar o que é certo e errado, e o que aconteceria se eu escolhesse o segundo caminho. Aliás, nisso você e minha mãe se certificaram de me fazer entender, por bem ou por mal, então obrigado aos dois. Obrigado por me amar incondicionalmente do seu jeito quieto, calado, de poucas e confusas palavras. Obrigado por ser o único homem que eu verdadeiramente admiro nessa vida, e por ter lutado tanto pra chegar onde chegou e ser quem você é.
Obrigado hoje e eternamente por ser meu pai, meu velhinho já de cabelos brancos e uma das únicas pessoas a me aceitar como eu sou, independente de doçura ou amargura, felicidade ou tristeza.
Estaremos juntos até o fim, da nossa maneira. Te amo. Feliz dia dos pais."


Esse ano eu resolvi dar outro presente material, porque ano passado ele disse "ah, eu gostei, mas essa carta é muito triste...". Ou seja.

Agora xô finalizar esse post pois vou ali chorar de amor. Beijo no cuore, até mais. ♥

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8 comentários

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